quarta-feira, 17 de junho de 2026

QUANDO A SEXUALIDADE VIRA ESPETÁCULO

 


QUANDO A SEXUALIDADE VIRA ESPETÁCULO

Uma reflexão sobre o novo modismo evangélico

Por Samuel Souza

Há algum tempo comecei a observar um fenômeno curioso dentro do meio evangélico brasileiro. De repente, surgiram especialistas por toda parte. Homens e mulheres que transformaram a sexualidade em tema central de suas palestras, congressos, perfis em redes sociais, podcasts e encontros para casais.

Não se trata apenas de terapeutas ou profissionais da área da saúde. Pastores, líderes, palestrantes e influenciadores cristãos passaram a dedicar boa parte de seu tempo a falar sobre intimidade conjugal, técnicas para melhorar o relacionamento, formas de reacender o desejo e maneiras de tornar a vida sexual mais interessante.

À primeira vista, alguém poderia perguntar: qual é o problema?

Nenhum, desde que o assunto seja tratado com seriedade, responsabilidade e à luz das Escrituras.

O problema começa quando a sexualidade deixa de ser um tema e passa a ser um espetáculo.

Nos últimos anos, tornou-se comum assistir a palestras onde termos chulos são utilizados diante de auditórios lotados. Mulheres falam para mulheres utilizando expressões que dificilmente seriam pronunciadas em ambientes cristãos há algumas décadas. Pastores contam piadas de duplo sentido em congressos de casais. Influenciadores produzem conteúdos cuidadosamente planejados para provocar curiosidade e gerar engajamento.

As imagens utilizadas nas redes sociais frequentemente se aproximam mais da publicidade sensual do que da comunicação cristã. Os títulos são construídos para despertar fantasias. As chamadas prometem segredos, descobertas e experiências capazes de transformar qualquer casamento.

O que deveria ser uma conversa madura e equilibrada muitas vezes se transforma numa mistura de entretenimento, marketing digital e aconselhamento superficial.

A questão que me preocupa não é apenas a vulgaridade crescente. O que me preocupa é a mudança de foco.

Durante séculos, a Igreja ensinou que o maior problema do homem era o pecado. Hoje, em alguns ambientes, parece que o maior problema passou a ser a falta de criatividade na vida sexual.

Enquanto isso, temas como arrependimento, santidade, domínio próprio, temor de Deus, mortificação da carne e crescimento espiritual vão sendo empurrados para as margens do discurso.

Não estou sugerindo que a sexualidade deva ser ignorada. A Bíblia não a ignora. O casamento inclui intimidade física, e as Escrituras reconhecem sua importância. O problema é que a Bíblia jamais tratou o assunto com a obsessão que vemos atualmente.

Existe uma diferença entre orientar e estimular.

Existe uma diferença entre ensinar e explorar.

Existe uma diferença entre esclarecer e transformar o tema em produto.

Talvez estejamos vivendo um momento em que alguns descobriram que sexo vende. Sexo gera visualizações. Sexo gera compartilhamentos. Sexo atrai público. E, como consequência, muitos passaram a falar sobre o assunto não porque seja o mais importante, mas porque é o que mais chama atenção.

A pergunta inevitável é: estamos ensinando princípios bíblicos ou alimentando curiosidades humanas?

Outra questão raramente discutida é a competência daqueles que assumiram a posição de especialistas.

Muitos desses palestrantes possuem pouca ou nenhuma formação sólida sobre sexualidade humana. Sua experiência limita-se à própria vivência pessoal, a alguns cursos rápidos ou à leitura de livros populares. Ainda assim, sentem-se autorizados a aconselhar milhares de pessoas sobre uma das áreas mais delicadas da existência humana.

E aqui reside um perigo que poucos percebem.

A sexualidade não é uma brincadeira inocente.

Ela não é um brinquedo emocional.

Ela não é apenas uma fonte de prazer.

Ela é uma das forças mais poderosas da natureza humana.

Quem conhece minimamente a história da humanidade sabe disso.

Guerras foram iniciadas por causa dela.

Famílias foram destruídas por causa dela.

Ministérios foram arruinados por causa dela.

Vidas foram consumidas por causa dela.

Quando mal administrada, a sexualidade pode tornar-se tão escravizadora quanto muitos vícios que costumamos condenar.

Aliás, talvez uma das maiores ingenuidades do nosso tempo seja imaginar que os desvios sexuais surgem repentinamente.

Eles não surgem.

Quase sempre começam pequenos.

Uma curiosidade.

Uma fantasia.

Uma concessão.

Uma busca aparentemente inofensiva.

Depois outra.

E mais outra.

Até que aquilo que parecia estar sob controle passa a controlar o indivíduo.

É justamente por isso que a Bíblia insiste tanto no domínio próprio.

Não porque Deus seja inimigo do prazer.

Mas porque conhece a fragilidade do coração humano.

Vivemos numa sociedade que fala de sexo o tempo inteiro. Crianças são expostas precocemente ao assunto. Adolescentes crescem cercados de estímulos. Adultos são bombardeados por imagens, discursos e sugestões praticamente vinte e quatro horas por dia.

Diante desse cenário, seria razoável esperar que a Igreja funcionasse como um contraponto.

Mas, em alguns casos, parece que ela decidiu competir com o mundo utilizando as mesmas ferramentas.

O resultado é uma geração cada vez mais informada sobre técnicas e cada vez menos instruída sobre santidade.

Cada vez mais confortável para falar sobre prazer e cada vez mais desconfortável para falar sobre pureza.

Cada vez mais interessada em experiências e cada vez menos preocupada com o temor de Deus.

Talvez a pergunta mais importante não seja como tornar os casamentos mais excitantes.

Talvez a pergunta mais urgente seja como preservar corações puros numa geração que perdeu a capacidade de corar.

Porque o objetivo do cristianismo nunca foi maximizar prazeres.

O objetivo do cristianismo é conformar homens e mulheres à imagem de Cristo.

E Cristo nunca ensinou seus discípulos a viverem em função dos seus desejos.

Ensinou-os a governá-los.

A Igreja não precisa de mais especialistas em estimular impulsos.

Precisa de homens e mulheres capazes de ensinar domínio próprio, reverência, santidade e temor do Senhor.

Num tempo em que tudo virou espetáculo, talvez a maior necessidade dos cristãos seja reaprender a tratar as coisas sagradas com a dignidade que elas merecem.

E poucas áreas da vida exigem tanto cuidado quanto aquela que Deus reservou para a intimidade do casamento.

Nem tudo o que pode ser dito precisa ser dito.

Nem tudo o que desperta curiosidade produz edificação.

E nem tudo o que gera audiência glorifica a Deus.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

MARCHANDO PARA QUAL JESUS?


Confesso que nunca consegui entender completamente a Marcha para Jesus.

Não estou dizendo que sou contra. Também não sou daqueles que criticam qualquer manifestação pública da fé cristã. Pelo contrário. Acho saudável que cristãos saiam dos templos, ocupem espaços públicos e testemunhem sua fé sem constrangimento.

Mas, depois de tantos anos assistindo às edições da marcha, continuo me perguntando: afinal, qual é o seu propósito?

É evangelismo?

Se for, seria interessante saber quantos descrentes são alcançados. Quantos se convertem. Quantos passam a frequentar uma igreja. Quantos abandonam uma vida distante de Deus após participarem do evento.

É comunhão entre os cristãos?

Pode ser. Embora a comunhão bíblica sempre tenha me parecido algo mais profundo do que caminhar algumas horas ao lado de milhares de desconhecidos ouvindo música em cima de trios elétricos.

É uma demonstração pública de fé?

Talvez.

Mas, sinceramente, depois de tantos anos, a impressão que tenho é que a Marcha para Jesus se transformou numa gigantesca vitrine onde cada participante parece encontrar um objetivo diferente. O cantor divulga sua agenda. O pastor fortalece sua influência. O político busca votos. O partido procura simpatizantes. A emissora gera conteúdo. O influenciador produz vídeos. E Jesus... bem, Jesus parece cada vez mais difícil de encontrar no meio da multidão.

O que mais me chamou a atenção neste ano não foram os milhares de cristãos presentes.

Foram os políticos.

Ali estavam figuras de todos os matizes ideológicos. Alguns deles defendendo pautas frontalmente incompatíveis com princípios bíblicos elementares. Outros que durante anos demonstraram absoluto desinteresse pelos valores cristãos, mas que, curiosamente, descobriram uma repentina afinidade com os evangélicos justamente quando o calendário eleitoral começa a se aproximar.

Nada contra políticos participarem de eventos religiosos.

Mas quando a presença deles se torna mais notada do que a mensagem pregada, alguma coisa saiu do lugar.

E como se não bastasse, ainda tivemos a ligação telefônica do presidente Lula para o evento, intermediada pelo bispo Estevam Hernandes.

A cena foi simbólica.

Enquanto milhares de pessoas participavam de uma marcha cujo nome faz referência ao Filho de Deus, uma das atenções principais acabou direcionada para uma autoridade política.

Não questiono o direito de ninguém falar. Nem o direito de um presidente cumprimentar participantes de um evento popular.

O que questiono é a inversão de prioridades.

Quando o púlpito se torna palanque, o Reino de Deus inevitavelmente perde espaço para os interesses do reino dos homens.

A Bíblia registra multidões seguindo Jesus pelas estradas da Galileia. Mas havia uma diferença fundamental. Elas caminhavam para ouvir Cristo.

Hoje, muitas vezes, parece que Cristo serve apenas como tema do evento.

A atração principal é outra.

Talvez eu esteja ficando velho.

Talvez eu seja excessivamente desconfiado.

Ou talvez eu simplesmente sinta falta da simplicidade do Evangelho.

Aquele Evangelho que não precisava de trio elétrico, celebridades, autoridades políticas nem estratégias de marketing para transformar vidas.

No fim da tarde, olhando as imagens da marcha, fiquei com a impressão de que milhares de pessoas realmente desejavam honrar a Deus. Não duvido da sinceridade delas.

Mas também fiquei com a sensação de que muitos dos que estavam nos palcos tinham interesses bem diferentes.

E foi então que me ocorreu uma reflexão incômoda.

Em ano eleitoral, parece que todo mundo quer marchar.

Marcha a direita.

Marcha a esquerda.

Marcha o centro.

Marcha o oportunista.

Marcha o candidato.

Marcha quem busca votos.

Marcha quem busca visibilidade.

Marcha quem busca influência. 

Só não tenho certeza se todos estão, de fato, marchando para Jesus.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Três Anos da Rádio Pavio Que Fumega: Um Altar Erguido Pela Graça de Deus

 

Existem obras que nascem de planejamentos humanos. Outras, porém, carregam em si marcas tão particulares da providência divina, que somente o Senhor poderia conduzi-las desde o princípio. Assim nasceu a Rádio Pavio Que Fumega.

Antes mesmo do primeiro programa ir ao ar, antes dos equipamentos, do estúdio e até mesmo das primeiras transmissões, tudo começou em direção espiritual. Cada detalhe foi sendo concebido quase simultaneamente à escrita do projeto: as cores, o slogan, a identidade visual, o perfil da programação e até mesmo o nome da emissora. Nada parecia fruto de estratégias de mercado. Era como se cada peça fosse sendo revelada pouco a pouco, debaixo de forte convicção espiritual.

Naquele momento inicial, muitas coisas causavam estranheza. O próprio nome “Pavio Que Fumega” soava incomum para muitos. A programação excessivamente conservadora, os louvores antigos, as mensagens reverentes e a proposta de resgatar a essência do Evangelho bíblico pareciam caminhar na contramão do que se via no cenário atual. Ainda assim, permanecemos firmes na visão que Deus havia colocado em nosso coração.

E aquilo que inicialmente parecia estranho, aos poucos foi encontrando abrigo no coração das pessoas.

O que antes causava questionamentos, passou a despertar identificação. Ouvintes começaram a perceber que havia ali algo diferente: um ambiente espiritual reverente, simples, bíblico e acolhedor. A saudade de Sião, expressa em nosso slogan, deixou de ser apenas uma frase e passou a representar um sentimento coletivo de muitos cristãos que ansiavam reencontrar a simplicidade do Evangelho.

A caminhada, contudo, esteve longe de ser fácil.

A evolução técnica da rádio aconteceu lentamente, passo a passo, muitas vezes em meio a limitações e desafios que somente quem constrói uma obra do zero consegue compreender. Cada equipamento adquirido representava uma pequena vitória. Microfones, computadores, mesas de som, interfaces, iluminação, câmeras e estruturas eram comprados parceladamente, conforme Deus ia provendo os recursos.

Ao mesmo tempo, surgia o desafio de aprender a operar tudo aquilo. Não havia experiência prévia, nem mesmo clareza sobre onde buscar ajuda. Em muitos momentos, sequer sabíamos qual direção seguir para resolver problemas técnicos, compreender softwares, organizar transmissões ou estruturar uma emissora minimamente funcional.

Mas Deus sustentou cada etapa.

Pouco a pouco, a evolução foi acontecendo. E junto dela, a audiência começou a chegar. Lentamente — exatamente como imaginávamos que aconteceria — principalmente pela ausência de uma estrutura profissional completa para gerir áreas fundamentais como administração, departamento comercial, marketing, identidade institucional, captação de recursos, produção técnica, gestão de conteúdo, sonoplastia, design, manutenção de equipamentos e comunicação estratégica.

Ainda assim, mesmo em meio às limitações, a mão do Senhor nunca deixou faltar aquilo que era necessário para continuar avançando.

Em abril de 2025, outro importante capítulo foi escrito em nossa história. O estúdio, até então localizado no bairro Cambuí, foi transferido para Botafogo. O novo espaço trouxe instalações mais charmosas, receptivas e adequadas para receber irmãos, convidados e entrevistados com maior conforto e excelência.

Nos dois primeiros anos, as comemorações aconteceram de maneira tímida e virtual. Sabíamos que ainda estávamos em fase de muitos ajustes e amadurecimento estrutural. Porém, ao chegarmos ao terceiro aniversário, mesmo conscientes de que ainda existem muitas demandas técnicas e profissionais para alcançarmos o nível de excelência desejado, entendemos que Deus já havia nos permitido crescer o suficiente para iniciarmos celebrações presenciais.

E assim aconteceu.

Com o mesmo zelo e visão de excelência que marcaram o nascimento da emissora, foi projetada a celebração do terceiro aniversário da Rádio Pavio Que Fumega, realizada no elegante espaço do Madame Fenerich, no Cambuí, em Campinas.

Tudo foi sendo cuidadosamente ajustado, contando com a contribuição valiosa da Pastora Liliam Vila Real, cuja dedicação e carinho foram fundamentais para que cada detalhe se tornasse especial.

O apoio das empresas Rlux Iluminação, Óticas Carol, Pet & Vet Top, Editora Autor da Fé e do próprio Madame Fenerich trouxe ainda mais beleza e força ao evento.

Os convidados foram recebidos com um saboroso café da manhã colonial, brindes foram distribuídos durante a celebração e, ao final, aconteceu o sorteio de um óculos de sol Ray-Ban oferecido pelas Óticas Carol.

Vieram irmãos e amigos de diversas cidades do estado de São Paulo, além de visitantes do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. A comunhão foi perfeita. Havia alegria sincera, abraços emocionados e um ambiente profundamente espiritual e acolhedor.

A rádio também recebeu presentes de seus ouvintes por meio de ofertas em Pix, além do carinho demonstrado na recepção aos visitantes. Gestos simples, mas carregados de amor e gratidão.

Um dos momentos mais emocionantes da celebração foi a homenagem prestada aos apresentadores da emissora. Tanto os atuais quanto aqueles que fizeram parte da nossa história e hoje já não estão conosco receberam um bonito mimo confeccionado em acrílico e mármore, contendo seus nomes e o logotipo da rádio — uma forma singela, porém sincera, de reconhecer cada vida que contribuiu para esta obra.

Mas acima de tudo, o mais importante foi perceber que, em cada detalhe, o nome do Senhor foi glorificado.

Celebrar três anos da Rádio Pavio Que Fumega não significa apenas comemorar uma emissora que permaneceu ativa. Significa testemunhar aquilo que Deus tem feito através dela.

Ao longo destes anos, ouvimos testemunhos de cura, salvação, restauração espiritual, fortalecimento ministerial e edificação através da programação. Pessoas alcançadas por uma palavra, consoladas por um louvor antigo, despertadas novamente para a reverência ao Senhor e reconciliadas com a simplicidade do Evangelho.

E talvez seja justamente isso o que mais nos emociona.

Porque a Rádio Pavio Que Fumega nunca teve como objetivo ser apenas uma rádio. Ela nasceu para ser um altar. Um instrumento. Um refúgio espiritual para aqueles que ainda amam a presença de Deus sem entretenimento vazio, sem superficialidade e sem negociações com o espírito deste século.

Seguimos conscientes de nossas limitações. Ainda há muito a crescer, estruturar, aprender e aperfeiçoar. Mas olhando para trás, é impossível não reconhecer: até aqui nos ajudou o Senhor.

E se foi Ele quem acendeu este pavio, cremos que continuará sustentando sua chama para a glória do Seu nome.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Até aqui nos ajudou o Senhor

 


Até aqui nos ajudou o Senhor: Celebrando 3 anos da Rádio Pavio Que Fumega

 

O dia 1º de maio será muito mais do que uma simples data em nosso calendário. Será um marco de gratidão, alegria e celebração pelos 3 anos da Rádio Pavio Que Fumega — um projeto que nasceu no coração de Deus e que, ao longo desse tempo, tem sido sustentado por Sua graça e fidelidade.

Nos reuniremos no Madame Fenerich, no tradicional bairro Cambuí, em Campinas, para viver um momento especial ao lado da nossa equipe e dos nossos ouvintes. Será um encontro de comunhão, onde poderemos olhar para trás e reconhecer: até aqui o Senhor nos ajudou.

Ao longo desses três anos, temos visto uma evolução clara em todos os aspectos da rádio. Crescemos tecnicamente, melhoramos nossa estrutura, ampliamos nosso alcance e, acima de tudo, fortalecemos nosso propósito: levar mensagens edificantes, louvores que marcaram gerações e conteúdos que alimentam a fé de um povo que tem saudade de Sião.

Nada disso seria possível sem pessoas que Deus levantou para caminhar conosco.

Nossa profunda gratidão vai para cada apresentador, homens e mulheres que, de forma voluntária, têm se dedicado com zelo à obra. Cada mensagem transmitida, cada programa preparado, cada palavra liberada carrega não apenas conteúdo, mas compromisso com o Reino de Deus.

Também reconhecemos com gratidão os irmãos que têm investido nessa obra como mantenedores e ofertantes. Em um tempo onde muitos priorizam tantas outras coisas, vocês escolheram semear no Reino — e isso tem feito toda a diferença. Essa rádio existe porque há pessoas que entenderam o valor espiritual desse trabalho.

E como não mencionar os testemunhos?

Temos recebido relatos que confirmam aquilo que sempre cremos: Deus está agindo através desta obra. Vidas sendo alcançadas, corações sendo restaurados, pessoas sendo fortalecidas na fé. Temos visto, claramente, a mão de Deus se manifestando.

Por isso, essa celebração não é apenas um evento — é um altar de gratidão.

Que esse momento seja apenas o começo de um novo ciclo ainda mais frutífero, mais firme e mais comprometido com aquilo que realmente importa: servir ao Senhor com fidelidade.

Seguimos com a certeza de que o mesmo Deus que nos sustentou até aqui continuará nos conduzindo.

A Ele toda honra, toda glória e todo louvor.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Pastor Atanael Souza - Uma Vida De Fé e Transformação

 


Angra dos Reis, com suas ilhas, montanhas e mar exuberante, guarda histórias que vão muito além de sua beleza natural. Entre elas está a de Atanael de Souza, um homem cuja vida se tornou testemunho vivo de fé, perseverança e amor ao próximo. Sua caminhada não se explica apenas por datas ou cargos, mas pela forma como Deus foi se revelando em cada etapa de sua história.

Conhecido carinhosamente como Nael, Atanael sempre demonstrou um coração sensível à voz de Deus. Desde cedo, aprendeu que a fé não é um discurso vazio, mas uma prática diária, forjada muitas vezes em meio às dores e desafios. Essa compreensão nasceu dentro de casa, no seio de uma família simples, marcada por limitações materiais, mas profundamente influenciada pela fé de sua mãe, Aurelina. Mulher piedosa, ela ensinou seus filhos a orar, a confiar no Senhor e a permanecer firmes mesmo quando a vida parecia dura demais. Esse legado espiritual se tornaria um alicerce inabalável na vida de Atanael.

Ao longo dos anos, a família enfrentou perdas, tragédias e provações que deixaram marcas profundas, mas também fortaleceram laços e moldaram um caráter resiliente. Foi nesse ambiente que Atanael aprendeu que a esperança em Deus não elimina o sofrimento, mas dá sentido a ele.

Em sua juventude, o desejo por uma fé viva e autêntica passou a inquietar seu coração. Ele não se conformava com uma espiritualidade mecânica ou superficial. Em meio a reuniões de oração e momentos de busca intensa, fez um clamor que definiria sua trajetória: pediu a Deus que sua vida tivesse relevância. Esse pedido, feito em quebrantamento, ecoou por toda a sua caminhada ministerial.

Antes mesmo de se dedicar integralmente ao pastoreio, Atanael expressou sua vocação de servir atuando na área da saúde, no Hospital Codrato de Vilhena. Ali, seu cuidado com as pessoas ia além da técnica profissional; havia compaixão, escuta e sensibilidade espiritual. Esse mesmo espírito de serviço acompanharia seu ministério pastoral, que foi ganhando forma de maneira natural e consistente.

Ao longo de sua caminhada, Atanael pastoreou igrejas, formou líderes e esteve presente em momentos decisivos na vida de muitas pessoas. Seu ministério foi marcado por orações que trouxeram cura, libertação e restauração, sempre apontando para Cristo como a fonte de toda transformação. Os testemunhos que o acompanham falam por si: uma criança curada quando tudo indicava a necessidade de cirurgia, vidas alcançadas pela mensagem do Evangelho, corações endurecidos sendo quebrantados pelo poder da Palavra, inclusive o de alguém que vivia envolvido com o satanismo.

Mesmo assim, sua história não foi construída apenas sobre vitórias. Atanael enfrentou dores profundas, como a perda de amigos em um grave acidente automobilístico. Nesse episódio, seu filho Thiago sobreviveu de forma milagrosa, trazendo consolo em meio ao luto. Sustentado pela fé, Atanael aprendeu a transformar sofrimento em testemunho e dor em esperança.

Hoje, o Pastor Atanael de Souza exerce o ministério como pastor sênior da Igreja Evangélica Propósito Eterno, em Angra dos Reis. Além disso, apresenta diariamente o Momento da Oração na Rádio Pavio Que Fumega, onde suas ministrações simples, bíblicas e cheias de sensibilidade espiritual têm impactado profundamente os ouvintes, fortalecendo a fé, trazendo consolo e renovando a esperança de muitos.

A vida do Pastor Atanael não pode ser resumida a uma sequência de acontecimentos. Ela é, acima de tudo, a prova de que uma fé genuína transforma histórias, sustenta em meio às perdas e continua produzindo frutos ao longo do tempo. Seu legado permanece como convite e inspiração: buscar uma vida de intimidade com Deus, marcada por oração, humildade e total dependência do Senhor.





quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Quando a Fidelidade Se Torna Ministério


 

Quando a Fidelidade Se Torna Ministério



A Rádio Pavio Que Fumega nasceu com um propósito simples e profundo: reacender corações, despertar vidas e alcançar aqueles que estão afastados de Jesus. Embora nossa programação sirva ao cristão conservador que busca louvores, mensagens bíblicas e conteúdo edificante, nosso foco principal é alcançar quem está distante, ferido, frio na fé ou perdido no caminho.
E para que esse objetivo se cumpra, não basta uma equipe. É preciso um povo.

Entre os muitos irmãos que caminham conosco, a irmã Ester Pires, de Valinhos/SP, se tornou um exemplo precioso. Mais do que uma ouvinte fiel desde os primeiros dias, ela assumiu — sem jamais pedir reconhecimento — um papel de cooperação que honra o Reino de Deus. Na intercessão, encontra força; na divulgação, demonstra zelo; e no envio de louvores, sugestões e observações construtivas, exerce aquilo que podemos chamar, com todo respeito, de uma “onbudsman na informalidade”: uma voz madura e equilibrada que nos ajuda a manter o foco, a clareza e a fidelidade doutrinária.

É importante dizer: a irmã Ester não gosta de autopromoção. É discreta, reservada e comprometida somente em agradar ao Senhor. Mas é justamente por isso que seu exemplo merece ser registrado — não para sua exaltação pessoal, e sim para inspirar outros.

A verdade é simples: Quando alguém se envolve com a rádio, está evangelizando junto.
Quem ora, quem divulga, quem sugere, quem contribui, quem compartilha… todos participam da mesma obra. A Palavra que chega a alguém afastado pode ter passado pelo esforço silencioso de um intercessor, pela dedicação de quem enviou uma música, pela fidelidade de quem compartilhou um link.

Nestes dois anos no ar, a Rádio Pavio Que Fumega já alcançou números expressivos de audiência e cresceu tecnicamente de forma visível. E esse avanço continua dia após dia. Isso só é possível porque entendemos que este trabalho não é um projeto pessoal da direção, mas um ministério de evangelização. Nossa prioridade não é nome, não é palco, não é status — é o Reino de Deus.

Por isso, registramos aqui nossa gratidão pela vida da irmã Ester, e ao mesmo tempo lançamos um convite sincero a todos os ouvintes: Se você tem tempo, dons ou disposição, há muito que pode fazer pela obra. Orar. Divulgar. Sugerir conteúdos. Enviar louvores edificantes. Ofertar quando Deus tocar. Cada gesto conta. Cada mão que se une fortalece a missão.

A chama continua acesa — e ela se mantém viva porque muitos, como a irmã Ester, decidiram somar.

Que o Senhor levante ainda mais cooperadores, e que a Rádio Pavio Que Fumega siga sendo instrumento para reacender corações em todo lugar.
Para a glória de Deus. Sempre.



terça-feira, 9 de dezembro de 2025

RETROSPECTIVA PAVIO QUE FUMEGA — UM ANO EM QUE A MÃO DE DEUS NOS CARREGOU


RETROSPECTIVA PAVIO QUE FUMEGA — UM ANO EM QUE A MÃO DE DEUS NOS CARREGOU 

Quando olhamos para este ano que está terminando, algo nos emociona profundamente: o Senhor esteve conosco em cada passo. Não foi apenas mais um ano de programação; foi um ano em que sentimos, de maneira real, o cuidado, a direção e o sopro de Deus sobre a Rádio Pavio Que Fumega.

Quantas vezes entramos no ar cansados, mas fomos renovados enquanto anunciávamos a Palavra? Quantos lares foram alcançados quando nem imaginávamos? Quantos testemunhos chegaram, dizendo que um louvor específico, uma mensagem antiga, uma palavra simples, restaurou alguém que já não tinha forças? Esse é o nosso combustível. É por isso que seguimos. É por isso que existimos.

Vivemos um tempo em que o mundo parece girar cada vez mais rápido rumo ao caos. As profecias se desenrolam diante de nós não como teoria, mas como realidade viva. Em Israel, os conflitos e tensões lembram o relógio profético que avança sem pausa. Em nações da Europa, como a França, vemos a fé sendo empurrada para as margens, enquanto a secularização tenta sufocar qualquer respiro de espiritualidade bíblica. Tudo isso apenas confirma aquilo que Jesus disse: “Quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo…”

E se o tempo é urgente, nossa missão também é.

A Pavio Que Fumega não foi chamada para entreter. Não foi chamada para agradar. Foi chamada para despertar. Para reacender. Para manter acesa a chama que muitos pensam estar se apagando.

Por isso seguimos transmitindo a Palavra genuína, o louvor que edifica, a mensagem que confronta, consola e transforma. Nosso coração se alegra por poder ser, ainda que pequeninos, uma voz no deserto clamando: “Endireitai o caminho do Senhor!”

E aqui, de joelhos diante de Deus, nasce nossa gratidão.

Agradecemos ao Senhor, que sustentou cada equipamento, cada transmissão, cada madrugada de programação. Agradecemos a você, ouvinte, que caminha conosco, que crê nessa rádio, que ora, contribui, divulga e participa. Agradecemos aos colaboradores e parceiros que se colocaram na brecha conosco, entendendo que esta obra não é nossa — é do Senhor.

Vocês fazem parte da história que o céu está escrevendo através desta emissora. E enquanto Deus nos der vida, enquanto houver graça, enquanto houver um coração sedento do outro lado do rádio… nós continuaremos.

O nosso convite é simples e sincero: permaneça conosco no próximo ano. Vamos seguir lado a lado, sustentando a chama, anunciando a verdade e aguardando o breve retorno do nosso Rei.

Que o Senhor nos conduza com misericórdia e poder para mais um ano de obra, fé e perseverança.

Pavio Que Fumega — a rádio para quem tem saudades de Sião.



sábado, 6 de dezembro de 2025

Pregador ou Contador de Histórias? – O Perigo de Desviar a Mensagem do Púlpito

 


Pregador ou Contador de Histórias? – O Perigo de Desviar a Mensagem do Púlpito

Nos últimos anos, um fenômeno tem se tornado cada vez mais comum nos púlpitos: pregadores que, ao invés de expor as Escrituras com clareza, passam a maior parte do tempo contando histórias pessoais, relatando experiências emocionais, tentando arrancar risos da plateia ou até mesmo tecendo críticas a outros ministérios. É como se a oportunidade preciosa – e séria – de pregar a Palavra do Senhor tivesse se tornado uma vitrine para carisma, criatividade ou autopromoção.

Não é que testemunhos sejam maus, nem que uma breve ilustração não possa enriquecer uma mensagem. O problema surge quando o sermão é construído em torno do pregador, e não da Escritura. Quando a mensagem deixa de ser um “Assim diz o Senhor” para se tornar um “Deixem-me contar o que aconteceu comigo”. Quando o púlpito, que deveria ser um lugar de reverência, se torna um palco.

E isso é grave.

O púlpito não é um programa de auditório

Programas como o Crente Inteligente – que têm a proposta de informar, admoestar, despertar e até entreter – naturalmente utilizam histórias, críticas bem fundamentadas e linguagem mais leve quando o assunto pede. Essa é a proposta. É o formato. É o ambiente certo para essa abordagem.

Mas púlpito não é programa.

Púlpito é campo santo.

No púlpito, espera-se que a Escritura seja o centro, que o pregador seja apenas um instrumento e que Cristo seja o destaque. Ali, o povo de Deus não está reunido para ouvir o senso de humor do pregador, nem para conhecer seus feitos, traumas ou glórias; está reunido para ouvir a voz de Deus por meio da Palavra de Deus.

Quando o conteúdo pessoal substitui o bíblico

Quando o pregador passa mais tempo falando de si mesmo do que das Escrituras, três coisas acontecem:

1. A igreja deixa de ser alimentada

Experiências pessoais não substituem doutrina, exortação, ensino, correção e consolo bíblico. São como aperitivos servidos no lugar da refeição principal.

2. O foco se desloca

O púlpito começa a girar em torno da figura do pregador. E onde o homem é engrandecido, Cristo é ofuscado.

3. A oportunidade é desperdiçada

A chance de abrir a Bíblia, confrontar o pecado, consolar os aflitos e anunciar o evangelho é perdida. E isso é algo pelo qual todo pregador responderá diante de Deus.

Pregadores que estudam e oram nunca ficam sem mensagem

Há quem se apoie em histórias porque tem pouca familiaridade com as Escrituras. Mas nenhum pregador que ora, estuda e vive a Palavra fica sem conteúdo. A Bíblia é inesgotável. Sempre há advertência, consolo, promessa, doutrina, sabedoria e direção.

A falta de foco bíblico não é falta de assunto. É falta de preparo ou falta de prioridade.

O púlpito clama por seriedade

Vivemos dias em que o entretenimento domina, e muitas igrejas cedem à pressão de tornar tudo “leve”, “agradável”, “divertido”. É compreensível que programas de rádio e conteúdo digital naveguem por esses formatos – há espaço legítimo para isso, desde que feitos com responsabilidade cristã.

Mas uma coisa é entreter quando o formato permite.

Outra coisa é transformar o púlpito num espetáculo.

O púlpito exige gravidade, reverência, compromisso com a verdade e fidelidade ao texto bíblico. Ali, não há espaço para vaidade, disputas, brincadeiras forçadas ou apresentações pessoais.

O chamado é simples: voltemos à Palavra

A igreja não precisa de celebridades. Precisa de pregadores que abram a Bíblia.

Precisa de homens que digam o que muitos não querem ouvir, mas precisam ouvir.

Precisa de servos que entendam que o púlpito não é uma oportunidade para causar boa impressão, mas para anunciar o evangelho com convicção.

Histórias podem ilustrar, mas não podem conduzir. Testemunhos podem somar, mas não podem substituir. Humor pode aliviar, mas não pode guiar.

Cristo deve ser o centro. Sempre.

E todo pregador que ama a Deus e ama a igreja sabe disso.


terça-feira, 4 de novembro de 2025

Empresários da Fé: Quando o Evangelho Vira Produto

 



Empresários da Fé: Quando o Evangelho Vira Produto



Quando uma alma se rende a Cristo, parece que o céu abre as janelas e derrama luz como manhã depois de tempestade. Há festa, há canto, há esperança. Poucas coisas brilham mais que o brilho no rosto de alguém que encontrou a Verdade e o Caminho.

Mas que dor amarga é ver, logo depois, que tantos desses “convertidos” não buscam cruz, arrependimento e serviço, e sim palco, produto e faturamento. Não se vê fruto de transformação, só o lucro como norte. Em vez de Bíblia surrada e joelho calejado, vemos ring light, slogan pronto e “mentoria de avivamento” por assinatura mensal.

O mercado da fé virou vitrine digital. Proliferam “empreendedores ungidos”, oferecendo chave, código, manto, desbloqueio, experiência, conferência VIP, tudo com botão de compra piscando como letreiro de neon. Parece o surto das locadoras de VHS ou das pizzarias de bairro de décadas atrás: onde o povo correu, a ambição correu mais rápido. Só que agora não se vende pizza, vende-se promessa; não se aluga filme, aluga-se espiritualidade por parcelas.

A tristeza maior não é a esperteza de quem monta essa feirinha gospel. A tristeza maior é a cegueira de tantos que seguem batendo palmas, compartilhando, comentando, dando engajamento como quem bombeia gasolina no tanque do engano. Ficam eletrizados por frases bonitas e câmeras bem posicionadas, enquanto a verdade bíblica grita abafada no fundo.

E enquanto isso, o pregador sincero, que carrega sua Bíblia e uma toalhinha dentro da mochila, anda de ônibus, pega poeira na estrada, ora para ter o valor da passagem e o pão do dia. Ele prega para vinte pessoas numa congregação esquecida, enquanto o “influenciador do altar” faz check-in em hotel de luxo.

Mas Deus vê. O Deus que pesou o coração de Faraó e contou as lágrimas de Ana não perdeu seu olhar. Ele não troca o secreto pela vitrine. Ele não falha com quem o busca de verdade.

O mercado pode subir e descer como maré. Os “empresários da fé” podem colecionar seguidores como moedas. Mas aquele que semeia com sinceridade colhe no tempo certo. O Senhor ainda sustenta o humilde, ainda exalta o fiel, ainda honra o servo que dobra o joelho longe das câmeras.

Não se escandalize, leitor. Não se canse. Não desista. O Cristo que purificou o templo com cordas nas mãos continua purificando corações e derrubando mesas. A fidelidade dele não falha, e quem o busca de coração jamais fica desamparado.

Samuel Souza
Diretor da Rádio Pavio Que Fumega


terça-feira, 28 de outubro de 2025

O Altar Não Tem Sobrenome

 


“O Altar Não Tem Sobrenome”

(Um alerta sobre o nepotismo que disfarça herança de sangue em chamado divino)



Há coisas que o tempo aceita com naturalidade — e há outras que o tempo deveria ter vergonha de aceitar.


É normal que um pai deixe sua empresa para o filho, afinal, o patrimônio é dele. É compreensível que um artista tente empurrar o filho para o palco — ainda que o talento não acompanhe o DNA. É previsível ver um político preparando o herdeiro para o mesmo palanque. Mas o que não dá para compreender — nem com teologia torcida nem com retórica piedosa — é ver o altar sendo tratado como cartório de herança.

Quando o púlpito vira propriedade

Deus chamou Moisés. Depois, escolheu Josué. Nenhum deles herdou o cajado do pai — herdaram o encargo de Deus. Mas hoje, em muitas igrejas, o cajado já vem com etiqueta de família: “De pai para filho”. E o altar, que deveria ser lugar de lágrimas, se transforma em um escritório de sucessão.

Parece forte? Pois é. Mas é isso mesmo: o púlpito deixou de ser monte de adoração para virar negócio de família. Filhos, esposas, sobrinhos, genros e noras desfilam cargos e títulos com a mesma facilidade com que se trocam chaves de um empreendimento. E o povo — que deveria discernir — se cala, confundindo honra espiritual com submissão cega.


Quando o sangue pesa mais que o Espírito

A lógica do nepotismo é simples: quem manda quer perpetuar o próprio poder.
Mas a lógica do Reino é oposta: quem manda, serve; quem sobe, se curva; quem tem, reparte.

“Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir.” (Marcos 10:45)

O que dizer, então, quando ministérios passam a ter o rosto da família e não o rosto de Cristo? Quando o nome na fachada da igreja importa mais do que o Nome sobre todo nome?
(Fl 2:9)

O Evangelho não precisa de herdeiros — precisa de enviados. E o chamado não corre em veia de sangue, mas no sopro do Espírito.


O constrangimento dos que percebem, mas calam

Há quem perceba, sim. Mas aprendeu a engolir seco. Aprendeu que “questionar” é sinal de rebeldia, e que toda crítica soa como afronta à unção. Criou-se um medo quase supersticioso: “se eu tocar no ungido, Deus me castiga”.
Mas tocar não é o mesmo que discernir. E quem fecha os olhos para o erro, em nome da reverência, pratica idolatria disfarçada de respeito.

“Examinai tudo. Retende o bem.” (1 Tessalonicenses 5:21)

Examine. Questione. Ore. Pois há “ungidos” que foram chamados, e há outros que foram herdados.


A teologia da conveniência

O mais assustador é ver teólogos e pastores maduros, homens outrora zelosos, agora justificando o injustificável. Dizem que “é normal”, que “Deus também usa famílias”, que “é bom manter a linhagem do ministério”. Mas o que era um desvio, agora virou doutrina informal.
E o que era vergonha, virou modelo. No fundo, é simples: quem tem o poder, quer garantir o trono.
Quem tem o microfone, quer garantir o eco. E quem tem a igreja, quer garantir o sobrenome na placa. Só esqueceram de uma coisa: a Noiva não é herança de família. É propriedade exclusiva do Cordeiro.


Um alerta com amor e temor

Samuel não conseguiu manter seus filhos fiéis. E foi justamente o nepotismo espiritual que abriu caminho para o povo pedir um rei terreno (1 Samuel 8).


Quando o ministério vira dinastia, Deus é trocado por estrutura. E quando o altar se torna empresa, o Espírito se retira em silêncio.

Mas ainda há tempo. Tempo de arrependimento, de humildade, de quebrantamento. Tempo de lembrar que o Reino não é construído com herdeiros, mas com servos.

“Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos.” (Marcos 9:35)

Que os olhos da Igreja se abram novamente. Que o altar volte a ser santo, e não hereditário.
Que o nome gravado no púlpito volte a ser Jesus Cristo — o único digno de herdar tudo.


Conclusão: o altar não tem sobrenome

No fim, o nepotismo não é apenas erro administrativo — é heresia silenciosa. Ele transforma o Reino em feudo, o chamado em carreira, e o altar em propriedade particular. Mas o altar, querido irmão, não tem sobrenome. Tem dono.
E o dono não divide Sua glória com ninguém (Isaías 42:8).

Que essa verdade incomode, desperte e purifique. Pois melhor é ser servo no Reino, do que herdeiro de um púlpito vazio da presença de Deus.

sábado, 25 de outubro de 2025

O Silêncio dos Púlpitos

 


OS TEMAS QUE OS PREGADORES NÃO PREGAM MAIS — E O PERIGO DESSA OMISSÃO

Um chamado ao retorno à Palavra, com amor, temor e reverência ao Senhor Jesus Cristo

📖 Editorial Pavio Que Fumega

“Porque não deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.”
(Atos 20:27)


Introdução

Há uma preocupação crescente entre os servos fiéis: por que tantos pregadores têm deixado de anunciar as verdades mais fundamentais do Evangelho?
Os púlpitos, que deveriam ecoar arrependimento, santidade e cruz, muitas vezes se transformaram em plataformas de discursos motivacionais e promessas terrenas.
O que era altar virou palco. O que era palavra profética, virou entretenimento.

Com amor e temor, este texto é um alerta — não em tom de acusação, mas de chamado ao arrependimento e retorno à pureza da pregação bíblica.


1. Os temas esquecidos

Em muitas igrejas, palavras como pecado, arrependimento, santidade, juízo eterno, inferno, renúncia, cruz e volta de Cristo desapareceram dos sermões.
No lugar delas, surgiram mensagens de autoestima, prosperidade, propósitos pessoais e vitórias terrenas.

O apóstolo Paulo já advertia sobre esse tempo:

“Virá tempo em que não suportarão a sã doutrina... amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências.”
(2 Timóteo 4:3)

Não é que falar de bênção seja errado, mas omitir a verdade do pecado é trair o evangelho. A graça só é compreendida quando se entende a gravidade da culpa.


2. Motivos escusos por trás do silêncio

Nem sempre o silêncio é inocente. Muitos deixam de pregar certas verdades por motivos preocupantes:

  • Temor de perder membros ou seguidores;

  • Desejo de popularidade e aceitação pública;

  • Dependência financeira do aplauso humano;

  • Falta de vida devocional e discernimento espiritual.

Jesus foi claro:

“Ai de vós, quando todos os homens falarem bem de vós...”
(Lucas 6:26)

O verdadeiro pregador não ajusta o sermão à plateia — mas ao Espírito Santo. Pregar o que agrada pode gerar aplauso, mas pregar o que é verdadeiro gera arrependimento e vida eterna.


3. O perigo para o pregador

O profeta Ezequiel foi advertido por Deus:

“Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares... o seu sangue da tua mão o requererei.”
(Ezequiel 3:18)

O pregador que se cala diante do pecado torna-se cúmplice do erro.
Ele pode até manter boa reputação entre os homens, mas perde a aprovação do Céu.
O ministério sem unção é apenas oratória vazia. A autoridade espiritual só permanece sobre quem fala o que Deus manda, e não o que o povo deseja ouvir.


4. O perigo para as ovelhas

O povo alimentado por mensagens superficiais torna-se fraco, emocional e sem raízes.
Sem ouvir sobre o pecado, não há arrependimento.
Sem arrependimento, não há novo nascimento.
Sem novo nascimento, não há salvação.

Jesus alertou:

“Se o cego guiar o cego, ambos cairão na cova.”
(Mateus 15:14)

Há igrejas lotadas e corações vazios. Louvor alto, mas pouca santidade. Muita emoção, mas pouca transformação.
E o perigo maior é que muitos julgam-se salvos — sem nunca terem se arrependido de fato.


5. Um chamado urgente ao retorno

A igreja precisa de volta os pregadores que choram entre o alpendre e o altar (Joel 2:17).
Homens e mulheres que pregam por amor à verdade, não por vaidade.
Que preferem perder o púlpito, mas não perder a presença do Espírito Santo.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
(João 8:32)

A verdade às vezes fere, mas sempre cura.
O Evangelho sem confronto é um engano; o Evangelho sem cruz é apenas filosofia humana.


Conclusão

O silêncio diante do pecado é a mais perigosa das pregações.
Pregar o que o povo quer ouvir é fácil; pregar o que o povo precisa ouvir é prova de fidelidade.

“Pregue a palavra, insta a tempo e fora de tempo, redargue, repreenda, exorte, com toda longanimidade e doutrina.”
(2 Timóteo 4:2)

Que o Senhor levante novamente pregadores do arrependimento, voz que clama no deserto, sentinelas do tempo do fim.
Que a chama do altar não se apague, e que os púlpitos voltem a ser lugar de verdade, temor e poder do Espírito Santo.


✝️ Rádio Pavio Que Fumega — A rádio para quem tem saudades de Sião.
📖 “Voltando ao Evangelho da Cruz, ao som dos louvores que marcaram gerações.”



quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Por que a Rádio Pavio Que Fumega não anuncia produtos com eficácia não comprovada

 



Por que a Rádio Pavio Que Fumega não anuncia produtos com eficácia não comprovada


A Rádio Pavio Que Fumega reafirma seu compromisso com a verdade, a ética e o testemunho cristão em tudo o que faz — inclusive na escolha dos conteúdos e anúncios que veicula.
Por essa razão, informamos que não aceitamos a divulgação de produtos ou serviços cuja eficácia não seja devidamente comprovada por fontes sérias e responsáveis.

Nosso ministério entende que anunciar o que não se pode confirmar é colocar em risco a confiança do nosso público e, pior ainda, macular o testemunho do Evangelho que defendemos.
A Bíblia nos ensina que:


“Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que agem fielmente são o seu deleite.”
(Provérbios 12:22)

A fé cristã é edificada sobre a verdade. Por isso, nossa rádio não pode — e não vai — associar seu nome a promessas enganosas, curas duvidosas ou soluções milagrosas sem comprovação.
Anunciar algo que possa enganar o ouvinte seria ferir o princípio do amor ao próximo (Mateus 22:39) e comprometer a credibilidade do ministério.

A Pavio Que Fumega existe para edificar vidas, não para explorar a confiança dos que nos ouvem. Nosso propósito é proclamar o Evangelho com reverência, simplicidade e fidelidade — inclusive nas decisões comerciais que tomamos.


“Mais digno de ser escolhido é o bom nome do que as muitas riquezas.”
(Provérbios 22:1)

Assim seguimos, convictos de que a integridade vale mais do que qualquer lucro e que honrar o nome de Cristo é a nossa maior prioridade.

📻 Rádio Pavio Que Fumega
A rádio para quem tem saudades de Sião.




terça-feira, 21 de outubro de 2025

Testemunho ou Tristemunho?


 

Testemunho ou Tristemunho?

Reflexão bíblica sobre o verdadeiro propósito de glorificar a Deus

Introdução

O momento do testemunho nas igrejas evangélicas sempre foi uma oportunidade preciosa para edificar os irmãos e glorificar a Deus. É o espaço onde se compartilha a ação de Deus em nossas vidas e o poder transformador da fé. Contudo, tem se tornado comum observar pessoas que transformam esse momento em longos relatos de sofrimento e tragédias, deixando o agir de Deus em segundo plano. O resultado é que, em vez de saírem edificados, os ouvintes saem entristecidos, carregando mais dor do que fé. Surge, então, o que podemos chamar de “tristemunho” — um relato que mais entristece do que testemunha.


O perigo do foco errado

O apóstolo Paulo nos ensina em Filipenses 4:8:

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.”

O foco do testemunho deve ser a glorificação de Deus, e não o detalhamento exaustivo do sofrimento. Quando alguém usa 95% do tempo descrevendo dificuldades e apenas 5% exaltando a intervenção divina, o testemunho perde o seu verdadeiro propósito.

Em vez de “testemunho”, surge o “tristemunho”, no qual a tristeza domina o ambiente e a glória de Deus se perde no meio dos detalhes desnecessários.


O verdadeiro propósito do testemunho

Jesus deixou claro em Mateus 5:16:

“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”

O testemunho tem como objetivo central glorificar a Deus. O sofrimento pode ser mencionado, mas o destaque deve ser o livramento, a cura, a restauração. O apóstolo Paulo, ao relatar suas prisões e provações, sempre encerrava glorificando Cristo:

“Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.” (Romanos 8:37)

Ele falava das dificuldades, mas terminava com vitória e louvor.


O risco da autopiedade espiritual

Relatos extensos de sofrimento podem ser uma forma disfarçada de buscar atenção. A pessoa deseja que os outros sintam pena, em vez de glorificar a Deus. Esse comportamento desloca a adoração do Senhor para o próprio “eu”.

João Batista nos lembra em João 3:30:

“É necessário que Ele cresça e que eu diminua.”

Quando damos mais espaço à dor do que à glória de Deus, fazemos exatamente o contrário: diminuímos Cristo e exaltamos o sofrimento.


Como testemunhar biblicamente

Para que o testemunho seja edificante e glorifique a Deus, é importante:

  1. Ser breve nos detalhes do sofrimento — apenas o necessário para contextualizar.

  2. Dar ênfase no agir de Deus — mostrar como Ele interveio, curou, salvou ou restaurou.

  3. Relacionar com a Palavra — conectar a experiência com princípios bíblicos que fortalecem a fé.

  4. Glorificar o Senhor — terminar exaltando o nome de Deus, não a própria superação pessoal.


Conclusão

O verdadeiro testemunho é aquele que faz a igreja olhar para cima, e não para baixo. Ele deve deixar no coração dos ouvintes a certeza de que Deus ainda faz milagres. O “tristemunho”, por outro lado, gera desânimo e tristeza espiritual.

Se Deus operou em sua vida, compartilhe com alegria! Mostre o livramento, o milagre, a transformação. Deixe Cristo ser o protagonista da sua história. Afinal, o testemunho não é sobre o tamanho da sua dor, mas sobre o tamanho do Deus que te levantou.

“Anunciarei o teu nome a meus irmãos; louvar-te-ei no meio da congregação.” (Salmo 22:22)

Que cada palavra dita diante da igreja seja luz, não lamento; edificação, não emoção desordenada. Que nossos testemunhos nunca sejam “tristemunhos”, mas cânticos de vitória, proclamando ao mundo que o nosso Deus ainda faz maravilhas!

sábado, 18 de outubro de 2025

A morte do personagem Sargento Lago

 


A morte do personagem Sargento Lago


Quando entrei na Polícia Militar de São Paulo, no início dos anos oitenta, eu não imaginava que aquele jovem de farda nova e alma cheia de sonhos estava, na verdade, iniciando um longo e tortuoso capítulo de uma história que terminaria com a morte — não do homem, mas do personagem: o Sargento Lago.

Era um tempo de esperança. Eu trazia comigo a herança de um lar simples, mas erguido sobre alicerces inabaláveis: fé, disciplina, honestidade e amor. Na bagagem, não havia dinheiro, mas havia sobras generosas de sonhos e coragem. 

Foi essa herança moral, e não o soldo de praça, que me sustentou nas madrugadas frias de plantão, nas dores não ditas, nas lágrimas escondidas sob o quepe. Cada farda suada, cada fuzil apoiado no peito era testemunha de uma juventude entregue ao dever, e ao mesmo tempo, ao desassossego de quem via o mundo mudar sem pedir licença.

Lembro-me com carinho — e um nó na garganta — do meu velho tio, já com cabelos prateados, ainda servindo à corporação. Ver-me chegar a Sargento, laureado de primeiro grau, foi para ele como receber uma medalha que o tempo lhe negara. Apresentava-me com orgulho: “Meu sobrinho já é Sargento e tem PMzito de primeiro grau!” A alegria dele não cabia no peito, e o brilho em seus olhos me dizia que, de algum modo, aquela conquista era nossa. Hoje, olhando para trás, percebo como o mérito era coisa rara em tempos de “quem indica”. O rigor dos critérios transformava cada condecoração em um troféu quase mítico. Hoje, as “couros brancos”, como chamamos as medalhas, multiplicaram-se a tal ponto que perderam o peso da honra. O que antes era símbolo de sacrifício e bravura, banalizou-se na pressa de agradar.

Vieram as glórias, os tombos, os choros e as cicatrizes. Vieram também os projetos que me mantiveram vivo depois da farda.

Na aposentadoria, ainda sentia o sangue cinza bandeirante correr nas veias — não de vaidade, mas de vínculo. Foi assim que nasceram o projeto Policiais Militares do Brasil e o livro Papa Mike – A Realidade do Policial Militar. Um ano inteiro percorrendo o país, ouvindo histórias, filmando, registrando. Cada rosto, cada voz, cada lágrima era um espelho meu.

Também a música me acompanhou. Canções como Rota Tá Tá, Profissão Coragem e Somos a Polícia Militar ecoaram nos quartéis e rádios do Brasil, como hinos de um tempo em que ainda havia brilho no ideal.

Mas o tempo é um mestre silencioso. Ele apaga o brilho das fardas e apura o brilho da alma. Vieram os convites para os aniversários de batalhão, os churrascos, as reuniões de antigos companheiros. Fui a alguns. Depois, já não fui mais. Não era desdém — era distância. Distância de um tempo que ficou preso em fotografias amareladas. Até os meus três CDs, que outrora eram motivo de orgulho, já não despertavam em mim vontade de ouvir.

Um dia, conversando com o coronel Ramírez, amigo dos tempos de estrada, ele me disse emocionado: “Lago, você não pode parar.” Mas dentro de mim, algo já havia parado. Eu sentia que o Sargento Lago — o personagem que o mundo via — já se despedia, devagar, como quem fecha o portão da caserna pela última vez. Então, decidi voltar. Não para os quartéis, mas para as origens.

O menino de outrora, criado num lar evangélico, reencontrou o caminho que os ventos da vida haviam soterrado sob a poeira das vaidades. Voltei para Jesus. E foi como respirar depois de muito tempo debaixo d’água.

Lembrei-me dos cultos domésticos com meus pais e meus treze irmãos. Das orações ao redor da mesa. Das vozes afinadas, meio desafinadas, mas cheias de fé. Recordei os cultos ao ar livre, a luz de lampiões, e o conjunto Libertos por Cristo, com o qual eu cantava meses antes de ingressar na PM, na Assembleia de Deus da Vila Olinda, onde meu pai era pastor.

E como esquecer o círculo de oração que eu mesmo dirigia o conjunto vocal aos dezoito anos, ladeado por senhoras idosas e piedosas, cujas orações pareciam tocar o céu?

Naquele reencontro, compreendi que a morte do Sargento Lago não era uma tragédia — era uma libertação.

O homem que serviu ao Estado por décadas, agora servia a um Reino que não tem fim. E para marcar essa nova caminhada, deixei morrer o sobrenome que simbolizava o passado e ressuscitei o Souza — o nome do meu pai, o mesmo que ostentou com bravura na Segunda Guerra Mundial.

A troca do nome não foi mero capricho: foi um batismo. Um símbolo de ruptura com tudo que me afastara de Deus.

Hoje, componho hinos para o Céu. Enquanto antes eu exaltava os heróis de farda, agora canto sobre o verdadeiro Herói que venceu a morte e salvou a humanidade.

Uma das canções que mais me toca diz: “Aonde eu quero mesmo é morar no Céu.” E é isso mesmo. 

Não há mais honra que se compare à de servir a Jesus.

Se antes a minha voz ecoava em rádios e palcos defendendo a corporação, hoje ecoa através da Web Rádio Pavio Que Fumega, anunciando a mensagem do Evangelho puro e simples.

Não busco holofotes, busco corações.

O rádio, diferente dos palcos, não ilumina o rosto do mensageiro — ilumina a mensagem. E é nela que eu encontro sentido.

O personagem Sargento Lago morreu, sim. Mas o homem — o servo, o crente restaurado — renasceu em Cristo.

Agora, combato outro tipo de guerra: a contra as heresias, os modismos e as distorções que têm banalizado o Evangelho. E sigo em frente, com fé, esperança e a doce certeza de que a farda que hoje visto é espiritual — lavada no sangue do Cordeiro.

Se um dia alguém reler os meus relatórios de vida, quero que encontrem neles apenas uma constatação: “Missão em andamento.” Porque a jornada não terminou — apenas mudou de direção. Antes, eu marchava sob o comando humano; agora, sigo guiado pela vontade de Deus. O mesmo zelo que um dia dediquei à farda, hoje consagro ao Reino dos Céus.

E se algum antigo companheiro de caserna ler estas linhas, deixo aqui mais do que um simples convite — deixo um alerta que pode transformar a sua vida, assim como transformou a minha: Volte-se para Jesus. Ainda há tempo de se alistar no Exército Celestial, onde o Comandante Supremo é o próprio Cristo e onde a vitória já foi conquistada na cruz.

E quando soar o toque final — não o toque da despedida, mas o da vitória — que possamos marchar lado a lado, não mais pelas ruas da cidade, mas pelas ruas de ouro da Nova Jerusalém.










sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Do Altar ao Palácio: Onde está a Coragem de João Batista?

 

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Do Altar ao Palácio: Onde está a Coragem de João Batista?

Por Samuel Souza

Recentemente, um dos maiores líderes religiosos do nosso país fez uma visita ao presidente da República. A cena, amplamente divulgada, mostrou sorrisos, elogios e gestos de cortesia diante de um governo que, notoriamente, representa uma ideologia contrária aos princípios do cristianismo bíblico.

Não se trata aqui de política partidária — trata-se de princípios espirituais. A esquerda ideológica, que tem sido defensora de pautas como o aborto, a ideologia de gênero, a relativização da família e o desprezo pelas Escrituras, não pode, sob hipótese alguma, ser vista como parceira do Reino de Deus. “Porque que comunhão há entre a luz e as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial?” (2 Coríntios 6:14-15).

O que entristece o coração dos que amam a verdade é perceber que, diante desse encontro, muitas vozes outrora respeitadas por sua firmeza se calaram — e algumas, para piorar, se apressaram em endossar o gesto. Pastores, cantores, influenciadores “gospel” e líderes regionais apressaram-se em postar mensagens de apoio, talvez não por convicção, mas por conveniência. Buscam manter o prestígio, garantir convites, preservar o olhar favorável de quem ocupa posição de destaque. É o flerte com a serpente — o mesmo que seduziu Eva, agora disfarçado de cordialidade institucional e “diálogo cristão”.

O que está em jogo não é uma fotografia, mas um símbolo. Quando um homem que representa a fé de milhões se curva diante de um poder que afronta os valores do Reino, não é apenas ele que se ajoelha — é toda uma geração de crentes que observa e, confusa, passa a achar que alianças com o sistema do mundo são aceitáveis.


Onde estão os profetas de outrora?


Onde estão os homens que, como João Batista, não temiam perder o pescoço, mas jamais calavam a verdade? Ele olhou para Herodes e disse: “Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão” (Marcos 6:18).
Não havia bajulação, não havia política — havia temor de Deus. João perdeu a cabeça, mas não perdeu a honra de ter sido fiel até o fim.

Hoje, o que mais falta não é poder, influência ou microfone — é autoridade espiritual. Aquela que não se compra com likes, nem se negocia com abraços em gabinetes. Autoridade vem do altar, e o altar só se mantém aceso quando há sacrifício, renúncia e separação do mundo. A Palavra diz: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4).


Este alerta não é de ódio, é de zelo.


A Igreja do Senhor precisa despertar. Os que ainda têm influência — seja sobre uma multidão ou apenas dentro da própria casa — precisam erguer a voz e dizer: “Não!” Não à conivência com o erro. Não ao aplauso político travestido de diplomacia. Não à busca por prestígio em detrimento da verdade.

A história nos mostra que o preço da omissão é sempre alto. Quando os profetas se calam, as serpentes falam. E é justamente por amor à verdade que precisamos nos indignar — santa indignação, que não nasce do orgulho, mas do Espírito Santo.

Ainda há tempo de se arrepender, de voltar ao primeiro amor, de rasgar o coração diante do altar e lembrar: “É melhor agradar a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

Que o Senhor levante novamente uma geração que não se curva ao sistema, que não negocia princípios e que, ainda que perca o aplauso dos grandes, conserve o favor do Céu.

Porque, no fim das contas, o trono que realmente importa não está em Brasília, está no alto e sublime lugar, de onde o Senhor reina eternamente.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Arrebatamento: A qualquer momento ele pode acontecer

 


Arrebatamento: A qualquer momento ele pode acontecer

Por Samuel Souza

Hoje pela manhã, enquanto preparava o meu café, o Espírito Santo soprou forte em meu coração uma palavra: “Arrebatamento.” Veio tão viva e expressiva que imediatamente gravei uma breve saudação aos ouvintes da Rádio Pavio Que Fumega, compartilhando essa reflexão que me visitava logo no início do dia.

Mais tarde, já na emissora, envolvido na produção do programa “Crente Inteligente,” acabei me esquecendo do assunto. O programa seguiu seu curso e, curiosamente, foi inteiramente de exortação — daqueles em que o Espírito fala de forma tão direta que até o apresentador se surpreende. Ao final, até comentei ao vivo: “Irmãos, até eu estou achando estranho o rumo de hoje!”

Mas logo veio a confirmação: a irmã Maria do Carmo, de Rio Paranaíba (MG), enviou uma mensagem dizendo que o programa estava exatamente dentro do tema que eu havia mencionado pela manhã — o arrebatamento. Foi então que percebi: em todos os programas, costumo pedir que o Espírito Santo tenha liberdade total e dirija cada palavra. E Ele dirigiu.

O que é “arrebatamento”?

A palavra “arrebatamento” vem do verbo “arrebatar”, que no original grego do Novo Testamento é harpazo, significando “tomar com força”, “tirar rapidamente”, “arrebatar de modo súbito”. A ideia é de algo feito de repente, com poder, e sem aviso prévio.

A Bíblia fala claramente desse evento no texto de 1 Tessalonicenses 4:16-17, onde o apóstolo Paulo declara:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”

O arrebatamento, portanto, é o momento em que Cristo virá buscar a Sua Igreja, não ainda para o julgamento do mundo, mas para reunir os salvos — os que morreram em Cristo e os que estiverem vivos e fiéis naquele instante.

Um evento súbito e certo

Jesus advertiu em Mateus 24:42-44:

“Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor... Por isso, estai vós também apercebidos; porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis.”

Essa é a essência do arrebatamento: um acontecimento inesperado, repentino e inevitável. O Senhor virá “como ladrão de noite” (1 Tessalonicenses 5:2), não para roubar, mas para tomar para Si aquilo que Lhe pertence — a Sua Noiva, a Igreja.

Coletivo ou individual

E é aqui que o Espírito nos faz refletir com temor e sobriedade: o arrebatamento pode acontecer de forma coletiva — quando Cristo vier para toda a Igreja — ou individualmente, quando cada um de nós for chamado deste mundo para a eternidade.

Quantos irmãos e irmãs fiéis têm sido recolhidos de forma inesperada! E muitas vezes Deus usa essas partidas para nos lembrar que “a qualquer momento Ele pode vir” — seja para todos, seja para mim ou para você, de modo pessoal.

Um chamado à vigilância

O fato de o Espírito Santo ter trazido esse tema de volta, mesmo quando eu o havia esquecido, mostra algo importante: o Senhor quer que Seu povo volte a lembrar do arrebatamento. Em tempos de distração espiritual e amor esfriando, precisamos reacender a chama da esperança bendita.

Como disse Paulo a Tito:

“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo.” (Tito 2:13)

A mensagem do arrebatamento não é para causar medo, mas para despertar fé e santidade. É o lembrete de que somos peregrinos, e o nosso lar verdadeiro é celestial.

Conclusão

Enquanto preparava o café, o Espírito me fez pensar no arrebatamento; enquanto apresentava o programa, Ele me fez viver o arrebatamento — não o evento em si, mas a urgência dele.
Percebi que, mesmo quando esquecemos o tema, Deus não esquece. Ele quer que Sua Igreja volte a falar, cantar, pregar e viver como quem aguarda o Noivo.

Porque, como está escrito em Apocalipse 22:12:

“E eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.”

O arrebatamento é real. É iminente. E o Espírito está nos lembrando — a qualquer momento Ele pode acontecer.

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Apocalipse 3:22)

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