terça-feira, 28 de outubro de 2025

O Altar Não Tem Sobrenome

 


“O Altar Não Tem Sobrenome”

(Um alerta sobre o nepotismo que disfarça herança de sangue em chamado divino)



Há coisas que o tempo aceita com naturalidade — e há outras que o tempo deveria ter vergonha de aceitar.


É normal que um pai deixe sua empresa para o filho, afinal, o patrimônio é dele. É compreensível que um artista tente empurrar o filho para o palco — ainda que o talento não acompanhe o DNA. É previsível ver um político preparando o herdeiro para o mesmo palanque. Mas o que não dá para compreender — nem com teologia torcida nem com retórica piedosa — é ver o altar sendo tratado como cartório de herança.

Quando o púlpito vira propriedade

Deus chamou Moisés. Depois, escolheu Josué. Nenhum deles herdou o cajado do pai — herdaram o encargo de Deus. Mas hoje, em muitas igrejas, o cajado já vem com etiqueta de família: “De pai para filho”. E o altar, que deveria ser lugar de lágrimas, se transforma em um escritório de sucessão.

Parece forte? Pois é. Mas é isso mesmo: o púlpito deixou de ser monte de adoração para virar negócio de família. Filhos, esposas, sobrinhos, genros e noras desfilam cargos e títulos com a mesma facilidade com que se trocam chaves de um empreendimento. E o povo — que deveria discernir — se cala, confundindo honra espiritual com submissão cega.


Quando o sangue pesa mais que o Espírito

A lógica do nepotismo é simples: quem manda quer perpetuar o próprio poder.
Mas a lógica do Reino é oposta: quem manda, serve; quem sobe, se curva; quem tem, reparte.

“Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir.” (Marcos 10:45)

O que dizer, então, quando ministérios passam a ter o rosto da família e não o rosto de Cristo? Quando o nome na fachada da igreja importa mais do que o Nome sobre todo nome?
(Fl 2:9)

O Evangelho não precisa de herdeiros — precisa de enviados. E o chamado não corre em veia de sangue, mas no sopro do Espírito.


O constrangimento dos que percebem, mas calam

Há quem perceba, sim. Mas aprendeu a engolir seco. Aprendeu que “questionar” é sinal de rebeldia, e que toda crítica soa como afronta à unção. Criou-se um medo quase supersticioso: “se eu tocar no ungido, Deus me castiga”.
Mas tocar não é o mesmo que discernir. E quem fecha os olhos para o erro, em nome da reverência, pratica idolatria disfarçada de respeito.

“Examinai tudo. Retende o bem.” (1 Tessalonicenses 5:21)

Examine. Questione. Ore. Pois há “ungidos” que foram chamados, e há outros que foram herdados.


A teologia da conveniência

O mais assustador é ver teólogos e pastores maduros, homens outrora zelosos, agora justificando o injustificável. Dizem que “é normal”, que “Deus também usa famílias”, que “é bom manter a linhagem do ministério”. Mas o que era um desvio, agora virou doutrina informal.
E o que era vergonha, virou modelo. No fundo, é simples: quem tem o poder, quer garantir o trono.
Quem tem o microfone, quer garantir o eco. E quem tem a igreja, quer garantir o sobrenome na placa. Só esqueceram de uma coisa: a Noiva não é herança de família. É propriedade exclusiva do Cordeiro.


Um alerta com amor e temor

Samuel não conseguiu manter seus filhos fiéis. E foi justamente o nepotismo espiritual que abriu caminho para o povo pedir um rei terreno (1 Samuel 8).


Quando o ministério vira dinastia, Deus é trocado por estrutura. E quando o altar se torna empresa, o Espírito se retira em silêncio.

Mas ainda há tempo. Tempo de arrependimento, de humildade, de quebrantamento. Tempo de lembrar que o Reino não é construído com herdeiros, mas com servos.

“Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos.” (Marcos 9:35)

Que os olhos da Igreja se abram novamente. Que o altar volte a ser santo, e não hereditário.
Que o nome gravado no púlpito volte a ser Jesus Cristo — o único digno de herdar tudo.


Conclusão: o altar não tem sobrenome

No fim, o nepotismo não é apenas erro administrativo — é heresia silenciosa. Ele transforma o Reino em feudo, o chamado em carreira, e o altar em propriedade particular. Mas o altar, querido irmão, não tem sobrenome. Tem dono.
E o dono não divide Sua glória com ninguém (Isaías 42:8).

Que essa verdade incomode, desperte e purifique. Pois melhor é ser servo no Reino, do que herdeiro de um púlpito vazio da presença de Deus.

sábado, 25 de outubro de 2025

O Silêncio dos Púlpitos

 


OS TEMAS QUE OS PREGADORES NÃO PREGAM MAIS — E O PERIGO DESSA OMISSÃO

Um chamado ao retorno à Palavra, com amor, temor e reverência ao Senhor Jesus Cristo

📖 Editorial Pavio Que Fumega

“Porque não deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.”
(Atos 20:27)


Introdução

Há uma preocupação crescente entre os servos fiéis: por que tantos pregadores têm deixado de anunciar as verdades mais fundamentais do Evangelho?
Os púlpitos, que deveriam ecoar arrependimento, santidade e cruz, muitas vezes se transformaram em plataformas de discursos motivacionais e promessas terrenas.
O que era altar virou palco. O que era palavra profética, virou entretenimento.

Com amor e temor, este texto é um alerta — não em tom de acusação, mas de chamado ao arrependimento e retorno à pureza da pregação bíblica.


1. Os temas esquecidos

Em muitas igrejas, palavras como pecado, arrependimento, santidade, juízo eterno, inferno, renúncia, cruz e volta de Cristo desapareceram dos sermões.
No lugar delas, surgiram mensagens de autoestima, prosperidade, propósitos pessoais e vitórias terrenas.

O apóstolo Paulo já advertia sobre esse tempo:

“Virá tempo em que não suportarão a sã doutrina... amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências.”
(2 Timóteo 4:3)

Não é que falar de bênção seja errado, mas omitir a verdade do pecado é trair o evangelho. A graça só é compreendida quando se entende a gravidade da culpa.


2. Motivos escusos por trás do silêncio

Nem sempre o silêncio é inocente. Muitos deixam de pregar certas verdades por motivos preocupantes:

  • Temor de perder membros ou seguidores;

  • Desejo de popularidade e aceitação pública;

  • Dependência financeira do aplauso humano;

  • Falta de vida devocional e discernimento espiritual.

Jesus foi claro:

“Ai de vós, quando todos os homens falarem bem de vós...”
(Lucas 6:26)

O verdadeiro pregador não ajusta o sermão à plateia — mas ao Espírito Santo. Pregar o que agrada pode gerar aplauso, mas pregar o que é verdadeiro gera arrependimento e vida eterna.


3. O perigo para o pregador

O profeta Ezequiel foi advertido por Deus:

“Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares... o seu sangue da tua mão o requererei.”
(Ezequiel 3:18)

O pregador que se cala diante do pecado torna-se cúmplice do erro.
Ele pode até manter boa reputação entre os homens, mas perde a aprovação do Céu.
O ministério sem unção é apenas oratória vazia. A autoridade espiritual só permanece sobre quem fala o que Deus manda, e não o que o povo deseja ouvir.


4. O perigo para as ovelhas

O povo alimentado por mensagens superficiais torna-se fraco, emocional e sem raízes.
Sem ouvir sobre o pecado, não há arrependimento.
Sem arrependimento, não há novo nascimento.
Sem novo nascimento, não há salvação.

Jesus alertou:

“Se o cego guiar o cego, ambos cairão na cova.”
(Mateus 15:14)

Há igrejas lotadas e corações vazios. Louvor alto, mas pouca santidade. Muita emoção, mas pouca transformação.
E o perigo maior é que muitos julgam-se salvos — sem nunca terem se arrependido de fato.


5. Um chamado urgente ao retorno

A igreja precisa de volta os pregadores que choram entre o alpendre e o altar (Joel 2:17).
Homens e mulheres que pregam por amor à verdade, não por vaidade.
Que preferem perder o púlpito, mas não perder a presença do Espírito Santo.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
(João 8:32)

A verdade às vezes fere, mas sempre cura.
O Evangelho sem confronto é um engano; o Evangelho sem cruz é apenas filosofia humana.


Conclusão

O silêncio diante do pecado é a mais perigosa das pregações.
Pregar o que o povo quer ouvir é fácil; pregar o que o povo precisa ouvir é prova de fidelidade.

“Pregue a palavra, insta a tempo e fora de tempo, redargue, repreenda, exorte, com toda longanimidade e doutrina.”
(2 Timóteo 4:2)

Que o Senhor levante novamente pregadores do arrependimento, voz que clama no deserto, sentinelas do tempo do fim.
Que a chama do altar não se apague, e que os púlpitos voltem a ser lugar de verdade, temor e poder do Espírito Santo.


✝️ Rádio Pavio Que Fumega — A rádio para quem tem saudades de Sião.
📖 “Voltando ao Evangelho da Cruz, ao som dos louvores que marcaram gerações.”



quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Por que a Rádio Pavio Que Fumega não anuncia produtos com eficácia não comprovada

 



Por que a Rádio Pavio Que Fumega não anuncia produtos com eficácia não comprovada


A Rádio Pavio Que Fumega reafirma seu compromisso com a verdade, a ética e o testemunho cristão em tudo o que faz — inclusive na escolha dos conteúdos e anúncios que veicula.
Por essa razão, informamos que não aceitamos a divulgação de produtos ou serviços cuja eficácia não seja devidamente comprovada por fontes sérias e responsáveis.

Nosso ministério entende que anunciar o que não se pode confirmar é colocar em risco a confiança do nosso público e, pior ainda, macular o testemunho do Evangelho que defendemos.
A Bíblia nos ensina que:


“Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que agem fielmente são o seu deleite.”
(Provérbios 12:22)

A fé cristã é edificada sobre a verdade. Por isso, nossa rádio não pode — e não vai — associar seu nome a promessas enganosas, curas duvidosas ou soluções milagrosas sem comprovação.
Anunciar algo que possa enganar o ouvinte seria ferir o princípio do amor ao próximo (Mateus 22:39) e comprometer a credibilidade do ministério.

A Pavio Que Fumega existe para edificar vidas, não para explorar a confiança dos que nos ouvem. Nosso propósito é proclamar o Evangelho com reverência, simplicidade e fidelidade — inclusive nas decisões comerciais que tomamos.


“Mais digno de ser escolhido é o bom nome do que as muitas riquezas.”
(Provérbios 22:1)

Assim seguimos, convictos de que a integridade vale mais do que qualquer lucro e que honrar o nome de Cristo é a nossa maior prioridade.

📻 Rádio Pavio Que Fumega
A rádio para quem tem saudades de Sião.




terça-feira, 21 de outubro de 2025

Testemunho ou Tristemunho?


 

Testemunho ou Tristemunho?

Reflexão bíblica sobre o verdadeiro propósito de glorificar a Deus

Introdução

O momento do testemunho nas igrejas evangélicas sempre foi uma oportunidade preciosa para edificar os irmãos e glorificar a Deus. É o espaço onde se compartilha a ação de Deus em nossas vidas e o poder transformador da fé. Contudo, tem se tornado comum observar pessoas que transformam esse momento em longos relatos de sofrimento e tragédias, deixando o agir de Deus em segundo plano. O resultado é que, em vez de saírem edificados, os ouvintes saem entristecidos, carregando mais dor do que fé. Surge, então, o que podemos chamar de “tristemunho” — um relato que mais entristece do que testemunha.


O perigo do foco errado

O apóstolo Paulo nos ensina em Filipenses 4:8:

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.”

O foco do testemunho deve ser a glorificação de Deus, e não o detalhamento exaustivo do sofrimento. Quando alguém usa 95% do tempo descrevendo dificuldades e apenas 5% exaltando a intervenção divina, o testemunho perde o seu verdadeiro propósito.

Em vez de “testemunho”, surge o “tristemunho”, no qual a tristeza domina o ambiente e a glória de Deus se perde no meio dos detalhes desnecessários.


O verdadeiro propósito do testemunho

Jesus deixou claro em Mateus 5:16:

“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”

O testemunho tem como objetivo central glorificar a Deus. O sofrimento pode ser mencionado, mas o destaque deve ser o livramento, a cura, a restauração. O apóstolo Paulo, ao relatar suas prisões e provações, sempre encerrava glorificando Cristo:

“Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.” (Romanos 8:37)

Ele falava das dificuldades, mas terminava com vitória e louvor.


O risco da autopiedade espiritual

Relatos extensos de sofrimento podem ser uma forma disfarçada de buscar atenção. A pessoa deseja que os outros sintam pena, em vez de glorificar a Deus. Esse comportamento desloca a adoração do Senhor para o próprio “eu”.

João Batista nos lembra em João 3:30:

“É necessário que Ele cresça e que eu diminua.”

Quando damos mais espaço à dor do que à glória de Deus, fazemos exatamente o contrário: diminuímos Cristo e exaltamos o sofrimento.


Como testemunhar biblicamente

Para que o testemunho seja edificante e glorifique a Deus, é importante:

  1. Ser breve nos detalhes do sofrimento — apenas o necessário para contextualizar.

  2. Dar ênfase no agir de Deus — mostrar como Ele interveio, curou, salvou ou restaurou.

  3. Relacionar com a Palavra — conectar a experiência com princípios bíblicos que fortalecem a fé.

  4. Glorificar o Senhor — terminar exaltando o nome de Deus, não a própria superação pessoal.


Conclusão

O verdadeiro testemunho é aquele que faz a igreja olhar para cima, e não para baixo. Ele deve deixar no coração dos ouvintes a certeza de que Deus ainda faz milagres. O “tristemunho”, por outro lado, gera desânimo e tristeza espiritual.

Se Deus operou em sua vida, compartilhe com alegria! Mostre o livramento, o milagre, a transformação. Deixe Cristo ser o protagonista da sua história. Afinal, o testemunho não é sobre o tamanho da sua dor, mas sobre o tamanho do Deus que te levantou.

“Anunciarei o teu nome a meus irmãos; louvar-te-ei no meio da congregação.” (Salmo 22:22)

Que cada palavra dita diante da igreja seja luz, não lamento; edificação, não emoção desordenada. Que nossos testemunhos nunca sejam “tristemunhos”, mas cânticos de vitória, proclamando ao mundo que o nosso Deus ainda faz maravilhas!

sábado, 18 de outubro de 2025

A morte do personagem Sargento Lago

 


A morte do personagem Sargento Lago


Quando entrei na Polícia Militar de São Paulo, no início dos anos oitenta, eu não imaginava que aquele jovem de farda nova e alma cheia de sonhos estava, na verdade, iniciando um longo e tortuoso capítulo de uma história que terminaria com a morte — não do homem, mas do personagem: o Sargento Lago.

Era um tempo de esperança. Eu trazia comigo a herança de um lar simples, mas erguido sobre alicerces inabaláveis: fé, disciplina, honestidade e amor. Na bagagem, não havia dinheiro, mas havia sobras generosas de sonhos e coragem. 

Foi essa herança moral, e não o soldo de praça, que me sustentou nas madrugadas frias de plantão, nas dores não ditas, nas lágrimas escondidas sob o quepe. Cada farda suada, cada fuzil apoiado no peito era testemunha de uma juventude entregue ao dever, e ao mesmo tempo, ao desassossego de quem via o mundo mudar sem pedir licença.

Lembro-me com carinho — e um nó na garganta — do meu velho tio, já com cabelos prateados, ainda servindo à corporação. Ver-me chegar a Sargento, laureado de primeiro grau, foi para ele como receber uma medalha que o tempo lhe negara. Apresentava-me com orgulho: “Meu sobrinho já é Sargento e tem PMzito de primeiro grau!” A alegria dele não cabia no peito, e o brilho em seus olhos me dizia que, de algum modo, aquela conquista era nossa. Hoje, olhando para trás, percebo como o mérito era coisa rara em tempos de “quem indica”. O rigor dos critérios transformava cada condecoração em um troféu quase mítico. Hoje, as “couros brancos”, como chamamos as medalhas, multiplicaram-se a tal ponto que perderam o peso da honra. O que antes era símbolo de sacrifício e bravura, banalizou-se na pressa de agradar.

Vieram as glórias, os tombos, os choros e as cicatrizes. Vieram também os projetos que me mantiveram vivo depois da farda.

Na aposentadoria, ainda sentia o sangue cinza bandeirante correr nas veias — não de vaidade, mas de vínculo. Foi assim que nasceram o projeto Policiais Militares do Brasil e o livro Papa Mike – A Realidade do Policial Militar. Um ano inteiro percorrendo o país, ouvindo histórias, filmando, registrando. Cada rosto, cada voz, cada lágrima era um espelho meu.

Também a música me acompanhou. Canções como Rota Tá Tá, Profissão Coragem e Somos a Polícia Militar ecoaram nos quartéis e rádios do Brasil, como hinos de um tempo em que ainda havia brilho no ideal.

Mas o tempo é um mestre silencioso. Ele apaga o brilho das fardas e apura o brilho da alma. Vieram os convites para os aniversários de batalhão, os churrascos, as reuniões de antigos companheiros. Fui a alguns. Depois, já não fui mais. Não era desdém — era distância. Distância de um tempo que ficou preso em fotografias amareladas. Até os meus três CDs, que outrora eram motivo de orgulho, já não despertavam em mim vontade de ouvir.

Um dia, conversando com o coronel Ramírez, amigo dos tempos de estrada, ele me disse emocionado: “Lago, você não pode parar.” Mas dentro de mim, algo já havia parado. Eu sentia que o Sargento Lago — o personagem que o mundo via — já se despedia, devagar, como quem fecha o portão da caserna pela última vez. Então, decidi voltar. Não para os quartéis, mas para as origens.

O menino de outrora, criado num lar evangélico, reencontrou o caminho que os ventos da vida haviam soterrado sob a poeira das vaidades. Voltei para Jesus. E foi como respirar depois de muito tempo debaixo d’água.

Lembrei-me dos cultos domésticos com meus pais e meus treze irmãos. Das orações ao redor da mesa. Das vozes afinadas, meio desafinadas, mas cheias de fé. Recordei os cultos ao ar livre, a luz de lampiões, e o conjunto Libertos por Cristo, com o qual eu cantava meses antes de ingressar na PM, na Assembleia de Deus da Vila Olinda, onde meu pai era pastor.

E como esquecer o círculo de oração que eu mesmo dirigia o conjunto vocal aos dezoito anos, ladeado por senhoras idosas e piedosas, cujas orações pareciam tocar o céu?

Naquele reencontro, compreendi que a morte do Sargento Lago não era uma tragédia — era uma libertação.

O homem que serviu ao Estado por décadas, agora servia a um Reino que não tem fim. E para marcar essa nova caminhada, deixei morrer o sobrenome que simbolizava o passado e ressuscitei o Souza — o nome do meu pai, o mesmo que ostentou com bravura na Segunda Guerra Mundial.

A troca do nome não foi mero capricho: foi um batismo. Um símbolo de ruptura com tudo que me afastara de Deus.

Hoje, componho hinos para o Céu. Enquanto antes eu exaltava os heróis de farda, agora canto sobre o verdadeiro Herói que venceu a morte e salvou a humanidade.

Uma das canções que mais me toca diz: “Aonde eu quero mesmo é morar no Céu.” E é isso mesmo. 

Não há mais honra que se compare à de servir a Jesus.

Se antes a minha voz ecoava em rádios e palcos defendendo a corporação, hoje ecoa através da Web Rádio Pavio Que Fumega, anunciando a mensagem do Evangelho puro e simples.

Não busco holofotes, busco corações.

O rádio, diferente dos palcos, não ilumina o rosto do mensageiro — ilumina a mensagem. E é nela que eu encontro sentido.

O personagem Sargento Lago morreu, sim. Mas o homem — o servo, o crente restaurado — renasceu em Cristo.

Agora, combato outro tipo de guerra: a contra as heresias, os modismos e as distorções que têm banalizado o Evangelho. E sigo em frente, com fé, esperança e a doce certeza de que a farda que hoje visto é espiritual — lavada no sangue do Cordeiro.

Se um dia alguém reler os meus relatórios de vida, quero que encontrem neles apenas uma constatação: “Missão em andamento.” Porque a jornada não terminou — apenas mudou de direção. Antes, eu marchava sob o comando humano; agora, sigo guiado pela vontade de Deus. O mesmo zelo que um dia dediquei à farda, hoje consagro ao Reino dos Céus.

E se algum antigo companheiro de caserna ler estas linhas, deixo aqui mais do que um simples convite — deixo um alerta que pode transformar a sua vida, assim como transformou a minha: Volte-se para Jesus. Ainda há tempo de se alistar no Exército Celestial, onde o Comandante Supremo é o próprio Cristo e onde a vitória já foi conquistada na cruz.

E quando soar o toque final — não o toque da despedida, mas o da vitória — que possamos marchar lado a lado, não mais pelas ruas da cidade, mas pelas ruas de ouro da Nova Jerusalém.










sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Do Altar ao Palácio: Onde está a Coragem de João Batista?

 

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Do Altar ao Palácio: Onde está a Coragem de João Batista?

Por Samuel Souza

Recentemente, um dos maiores líderes religiosos do nosso país fez uma visita ao presidente da República. A cena, amplamente divulgada, mostrou sorrisos, elogios e gestos de cortesia diante de um governo que, notoriamente, representa uma ideologia contrária aos princípios do cristianismo bíblico.

Não se trata aqui de política partidária — trata-se de princípios espirituais. A esquerda ideológica, que tem sido defensora de pautas como o aborto, a ideologia de gênero, a relativização da família e o desprezo pelas Escrituras, não pode, sob hipótese alguma, ser vista como parceira do Reino de Deus. “Porque que comunhão há entre a luz e as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial?” (2 Coríntios 6:14-15).

O que entristece o coração dos que amam a verdade é perceber que, diante desse encontro, muitas vozes outrora respeitadas por sua firmeza se calaram — e algumas, para piorar, se apressaram em endossar o gesto. Pastores, cantores, influenciadores “gospel” e líderes regionais apressaram-se em postar mensagens de apoio, talvez não por convicção, mas por conveniência. Buscam manter o prestígio, garantir convites, preservar o olhar favorável de quem ocupa posição de destaque. É o flerte com a serpente — o mesmo que seduziu Eva, agora disfarçado de cordialidade institucional e “diálogo cristão”.

O que está em jogo não é uma fotografia, mas um símbolo. Quando um homem que representa a fé de milhões se curva diante de um poder que afronta os valores do Reino, não é apenas ele que se ajoelha — é toda uma geração de crentes que observa e, confusa, passa a achar que alianças com o sistema do mundo são aceitáveis.


Onde estão os profetas de outrora?


Onde estão os homens que, como João Batista, não temiam perder o pescoço, mas jamais calavam a verdade? Ele olhou para Herodes e disse: “Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão” (Marcos 6:18).
Não havia bajulação, não havia política — havia temor de Deus. João perdeu a cabeça, mas não perdeu a honra de ter sido fiel até o fim.

Hoje, o que mais falta não é poder, influência ou microfone — é autoridade espiritual. Aquela que não se compra com likes, nem se negocia com abraços em gabinetes. Autoridade vem do altar, e o altar só se mantém aceso quando há sacrifício, renúncia e separação do mundo. A Palavra diz: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4).


Este alerta não é de ódio, é de zelo.


A Igreja do Senhor precisa despertar. Os que ainda têm influência — seja sobre uma multidão ou apenas dentro da própria casa — precisam erguer a voz e dizer: “Não!” Não à conivência com o erro. Não ao aplauso político travestido de diplomacia. Não à busca por prestígio em detrimento da verdade.

A história nos mostra que o preço da omissão é sempre alto. Quando os profetas se calam, as serpentes falam. E é justamente por amor à verdade que precisamos nos indignar — santa indignação, que não nasce do orgulho, mas do Espírito Santo.

Ainda há tempo de se arrepender, de voltar ao primeiro amor, de rasgar o coração diante do altar e lembrar: “É melhor agradar a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

Que o Senhor levante novamente uma geração que não se curva ao sistema, que não negocia princípios e que, ainda que perca o aplauso dos grandes, conserve o favor do Céu.

Porque, no fim das contas, o trono que realmente importa não está em Brasília, está no alto e sublime lugar, de onde o Senhor reina eternamente.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Arrebatamento: A qualquer momento ele pode acontecer

 


Arrebatamento: A qualquer momento ele pode acontecer

Por Samuel Souza

Hoje pela manhã, enquanto preparava o meu café, o Espírito Santo soprou forte em meu coração uma palavra: “Arrebatamento.” Veio tão viva e expressiva que imediatamente gravei uma breve saudação aos ouvintes da Rádio Pavio Que Fumega, compartilhando essa reflexão que me visitava logo no início do dia.

Mais tarde, já na emissora, envolvido na produção do programa “Crente Inteligente,” acabei me esquecendo do assunto. O programa seguiu seu curso e, curiosamente, foi inteiramente de exortação — daqueles em que o Espírito fala de forma tão direta que até o apresentador se surpreende. Ao final, até comentei ao vivo: “Irmãos, até eu estou achando estranho o rumo de hoje!”

Mas logo veio a confirmação: a irmã Maria do Carmo, de Rio Paranaíba (MG), enviou uma mensagem dizendo que o programa estava exatamente dentro do tema que eu havia mencionado pela manhã — o arrebatamento. Foi então que percebi: em todos os programas, costumo pedir que o Espírito Santo tenha liberdade total e dirija cada palavra. E Ele dirigiu.

O que é “arrebatamento”?

A palavra “arrebatamento” vem do verbo “arrebatar”, que no original grego do Novo Testamento é harpazo, significando “tomar com força”, “tirar rapidamente”, “arrebatar de modo súbito”. A ideia é de algo feito de repente, com poder, e sem aviso prévio.

A Bíblia fala claramente desse evento no texto de 1 Tessalonicenses 4:16-17, onde o apóstolo Paulo declara:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”

O arrebatamento, portanto, é o momento em que Cristo virá buscar a Sua Igreja, não ainda para o julgamento do mundo, mas para reunir os salvos — os que morreram em Cristo e os que estiverem vivos e fiéis naquele instante.

Um evento súbito e certo

Jesus advertiu em Mateus 24:42-44:

“Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor... Por isso, estai vós também apercebidos; porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis.”

Essa é a essência do arrebatamento: um acontecimento inesperado, repentino e inevitável. O Senhor virá “como ladrão de noite” (1 Tessalonicenses 5:2), não para roubar, mas para tomar para Si aquilo que Lhe pertence — a Sua Noiva, a Igreja.

Coletivo ou individual

E é aqui que o Espírito nos faz refletir com temor e sobriedade: o arrebatamento pode acontecer de forma coletiva — quando Cristo vier para toda a Igreja — ou individualmente, quando cada um de nós for chamado deste mundo para a eternidade.

Quantos irmãos e irmãs fiéis têm sido recolhidos de forma inesperada! E muitas vezes Deus usa essas partidas para nos lembrar que “a qualquer momento Ele pode vir” — seja para todos, seja para mim ou para você, de modo pessoal.

Um chamado à vigilância

O fato de o Espírito Santo ter trazido esse tema de volta, mesmo quando eu o havia esquecido, mostra algo importante: o Senhor quer que Seu povo volte a lembrar do arrebatamento. Em tempos de distração espiritual e amor esfriando, precisamos reacender a chama da esperança bendita.

Como disse Paulo a Tito:

“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo.” (Tito 2:13)

A mensagem do arrebatamento não é para causar medo, mas para despertar fé e santidade. É o lembrete de que somos peregrinos, e o nosso lar verdadeiro é celestial.

Conclusão

Enquanto preparava o café, o Espírito me fez pensar no arrebatamento; enquanto apresentava o programa, Ele me fez viver o arrebatamento — não o evento em si, mas a urgência dele.
Percebi que, mesmo quando esquecemos o tema, Deus não esquece. Ele quer que Sua Igreja volte a falar, cantar, pregar e viver como quem aguarda o Noivo.

Porque, como está escrito em Apocalipse 22:12:

“E eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.”

O arrebatamento é real. É iminente. E o Espírito está nos lembrando — a qualquer momento Ele pode acontecer.

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Apocalipse 3:22)

QUANDO A SEXUALIDADE VIRA ESPETÁCULO

  QUANDO A SEXUALIDADE VIRA ESPETÁCULO Uma reflexão sobre o novo modismo evangélico Por Samuel Souza Há algum tempo comecei a observar um fe...